Da exaustão à superação

Da exaustão à superação

O que passei nos últimos dias foi algo incrível, difícil de compartilhar, mas vou tentar. Tive o prazer de conhecer a trilha maravilhosa Salkantay que sai de uma pequena cidade próxima a Cusco no Perú e finaliza em Machu Picchu. Foram 5 dias e 4 noites de muitos Km, totalizamos no total 101Km com os passos a mais marcados por nosso aplicativo no celular. Até não parece tanto, o desafio mesmo é fazer tudo isso numa altitude inimaginável. Chegamos a 4650m. Lembrando que aqui no Brasil a nossa realidade é em média 900m. Quando chegamos em Cusco já percebi meu folego super exaustivo, 10 passos pareciam 5km de corrida. Isso senti no início até adaptar um pouco mais. ⠀

Depois de dois dias de adaptação a trilha começou. Estávamos empolgadíssimas e (na nossa cabeça) preparadas. Ok, psicologicamente estávamos mesmo, porém só nos demos conta da realidade quando fizemos o primeiro dia que nos surpreendeu os pulmões. O percurso todo foi 13Km e 4250m de altitude. Pensei: “Se foi assim agora e é só o primeiro dia, imagina o que vem”. A exaustão foi sufocante e a recompensa deslumbrante! ⠀

Chegando lá dá até pra esquecer que foi tão intenso. Depois, só alegria, morro abaixo tudo ajuda, “só que não”, chega uma hora que rumo abaixo também começa a doer, perna, pé, coluna. Enfim, treino e mais treino pra gente. ⠀

Segundo dia era o prometido, aquele que sabia que seria o mais punk de todos. Mas por alguma obra do divino foi menos difícil que o primeiro. ⠀

Foram 22km de trilha e altitude top master de 4650m. Chegamos ao pico da Salkantay, chegar lá depois de todo esforço e de muito frio foi surpreendente. Minhas mãos congeladas no início do percurso mal permitiram que eu registrasse alguma foto, o foco era em aquecer o corpo e cuidar onde pisava, além de controlar a respiração de forma que o ar desse conta do esforço. Conversar? Nem pensar! Concentração era tanta para que nada desse errado. Mais uma vez vem as mensagens que a vida traz, para chegar ao ápice precisa de alguns perrengues e claro, vale cada passo.

É interessante como a necessidade faz com que elaboremos estratégias. Era um passo mais curto, uma respiração mais longa, prestar muita atenção onde pisar para que o esforço fosse apenas o necessário… descobri coisas que certamente não sabia. Somos capazes de coisas que nunca imaginamos. E pra mim, o desafio motiva a continuar, o trabalho em grupo faz permanecer focada no objetivo de conseguir e aproveitar o caminho me ensina que cada passo tem a sua beleza e sua lição. ⠀

No terceiro dia começamos então as decidas e as poucas subidas do percurso já não eram tão difíceis, além de não ter mais tanta altitude, o que simplesmente muda tudo! A trilha no meio do mato é linda, com o rio passando ao lado, as belezas naturais simplesmente espetaculares e com o gran finale das piscinas de águas termais de Santa Tereza. Para nossa recuperação muscular foi como uma renovação para os próximos dias. Mais dois dias de alguns poucos Km que agora pareciam até sem graça para quem tinha caminhado tanto. Após mais caminhadas, paisagens e até tirolesa chegamos a cidade de Águas Calientes onde sairíamos cedinho do dia seguinte para seguir a Machu Picchu.

Apesar da cama boa do hotel, depois de tantos acampamentos, o sono foi curto, pois saímos às 4h para iniciar mais esta subida. Foram 3 mil degraus com alturas gigantes (para pessoas do meu tamanho) que fizeram as coxas arderem ao final do caminho já que a exaustão muscular ainda era presente. ⠀

Chegar no topo valeu cada passo, cada degrau. Faria tudo outra vez ou melhor, farei tudo outra vez com certeza. Gratidão imensa ao meu grupo viajante que conheci e principalmente às minhas parceiras que se tornaram irmãs: @nutricionisaelisacombo @cami_zu@natidemartini. Sem vocês não sei como teria sido.

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